O momento em que efectivamente o nosso filho se transforma em “diferente”,  ou o momento em que cada um de nós toma conhecimento que temos um filho “diferente”, bem como o momento em que cada um de nós toma consciência de que a nossa vida mudou para sempre, é diferente para todos nós. Não há dois filhos iguais nem dois pais nem duas mães iguais.

E a forma como cada um reage também é diferente. E a forma como cada mãe ou pai evolui na sua aceitação também é sempre diferente.

Quando conheço alguma mãe que acabou de perceber e chegar a este “novo mundo”, faço o mesmo que fizeram comigo: conto a minha realidade, digo sempre que cada criança e cada família é diferente, mas que devem sempre aceitar e começar a pesquisar tudo para tomarem decisões.

Assim, há coisas que acho importante dizer, desde logo:

- falo de todas as terapias e centros que conheço, o que fiz, o que devia ter feito, o que não devia ter feito. Conto a nossa experiência...

- que não vale a pena perdermos muito tempo a encontrar o porquê de estar a acontecer com o nosso filho e connosco, porque nunca vamos encontrar essa explicação. Se passamos muito tempo a fazer essas questões, acabamos sempre por nos culpabilizar. E qualquer mãe especialmente, porque faz parte da maternidade, seja com filhos com problemas ou sem problemas, vai sempre culpar-se por qualquer coisa que não corra bem com o seu filho. Mais vale despender o tempo a aceitar e perceber a realidade.

- que pesquisar muito sobre o tema ajuda-nos a aceitar. Uma coisa que é muito importante é falar com outras mães. Perceber que não somos os únicos no mundo ajuda-nos no processo de aceitação. Ajuda-nos também a perceber as melhores e as piores experiências e com isso tomarmos boas decisões.

- que os médicos e os terapeutas são fundamentais, mas as decisões devem ser sempre tomadas por nós, como manda o nosso coração. Devemos ouvi-los, perguntar-lhes sobre tudo, sobre caminhos a seguir, que outros médicos devemos consultar, mas não esquecer de ouvir sempre o nosso coração. Muitas vezes, estamos tão exaustos que acabamos por deixar que decidam por nós, sem que para isso estejamos devidamente informados.

- que devemos, desde o início, envolver o máximo de pessoas neste processo, como avós, amigos, vizinhos, amas. O isolamento faz parte do processo natural de ter filhos com necessidades especiais, por isso temos que começar logo a contrariá-lo. Estar rodeado de ajudas vai ser fundamental para todo o nosso processo mental.

- que devemos manter-nos com uma boa saúde mental, ainda que para isso tenhamos que procurar ajuda especializada. Este processo é dos processos mais traumáticos que pode acontecer ao ser humano, por isso encontrar uma via espiritual ou ajuda médica especializada pode ajudar muito, não só para o momento presente como para o futuro. Às vezes há coisas que pomos totalmente de parte porque sentimos que não temos direito a elas ou porque estamos demasiado ocupados com esta nova realidade. Nunca devemos fazer isso porque depois reverter essa situação é muito mais difícil. Por isso também nos devemos mimar: fazer uma massagem, ir ao cinema, ler um livro 15 minutos por dia, comprar uma camisola gira ou simplesmente passear no shopping com uma amiga...

- e chorar... muito. Chorar faz parte do processo de aceitação.

Quando aqui escrevo sobre estas coisas ou falo com estes pais, algumas destas coisas não fiz mas concluí que devia ter feito. Hoje, passados 6 anos, ainda continuo no meu processo de aceitação, e sempre que vejo que há qualquer coisa que possa mudar a minha vida ou a do meu filho faço-a, e converso com outras mães e com os profissionais. 

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