Recentemente tive que mudar o meu filho de 6 anos de escola.

Encontrar uma escola para ele não foi difícil. Mas não foi difícil porque haja muitas escolas ou todas o queressem.

Foi exatamente o contrário! Existem muito poucas escolas ou colégios regulares que integrem crianças com deficiência. 

Portanto, pôr o Quico na escola resume-se a uma escolha entre escolas regulares que aceitem crianças com necessidades especiais ou centros de crianças com deficiências profunda.

E portanto, escolhi, para já, a primeira opção. 

O Quico está integrado num colégio privado regular com as terapias e o ensino especial integrado. Ou seja, participa em algumas actividades com os colegas, sempre acompanhado por um dos terapeutas ou pelo professor de ensino especial, enquanto que outras actividades faz isolado pois é-lhe totalmente impossível participar (discussão dos trabalhos, por exemplo) e o tempo é aproveitado para fazer alguma terapia.

Mas será isto que quero para o meu filho?
Em teoria sim. Diz a educadora que “está integrado com os seus pares”. Mas são eles os seus pares? Que pares são estes em que ele não consegue fazer rigorosamente nada do que os colegas fazem? Diz o dicionário da língua portuguesa que “Par é o igual, semelhante ou parceiro”. Mas são os colegas da sua turma ou de toda a escola seus pares? São Iguais ou Semelhantes a ele?
Tenho pensado muito nisto... Os seus pares não são as crianças que conseguem o mesmo que ele? E não deve ele conseguir o mesmo que os seus pares?
Será este o modelo de ensino que serve a estas crianças com deficiências motoras e cognitivas graves? 
Mas também não servem os depósitos de crianças com deficiência, onde nada acontece para eles para o resto da vida...

E escolas onde existam crianças com os mesmos problemas, com terapias específicas, com um currículo adaptado às suas realidades e possibilidades, onde lhes seja ensinado o que realmente interessa no seu contexto e ao mesmo tempo está dentro das suas possibilidades, mas que os faça crescer e evoluir, tanto cognitivamente como fisicamente?

Não me interessa que o Quico saiba quantos habitantes tem um país ou o abecedário ou contas de dividir. Para quê? Acho que nunca vai precisar de utilizar essa informação. 
Não é o seu tempo muito melhor gasto se lhe ensinarmos que existem pessoas de diferentes cores, umas altas e outras baixas? Não é mais importante que lhe ensinem a apontar para o que quer? Para que quer ele saber ler ou escrever se souber apontar?  

Também é verdade que as crianças com necessidades especiais devem estar juntamente com outras crianças sem problemas para que possam orientar-se, seguir o seu exemplo, copiá-las e perceber o que está correcto. Mas até que ponto as crianças com deficiência, que nunca conseguirão fazer nada ou a maior parte dessas coisas, não se sentirão frustradas por não conseguirem seguir os seus colegas? 

E não entro aqui no benefício que as crianças sem necessidades especiais têm em socializar com crianças com necessidades especiais. Esse é um dos maiores benefícios que uma escola pode dar: ensinar a viver a diferença, a ajudar o próximo, são essas crianças que vão realmente mudar a sociedade e torná-la mais humana.  

Estou a iniciar o nosso percurso sobre a escola e o ensino, e levantam-se muitas questões, dúvidas... nunca vai haver um modelo perfeito, que sirva a todos, com pessoas perfeitas. Mas podemos idealizar, não? 

Mais uma vez este é um tema que qualquer mãe de uma criança sem necessidades especiais resolve com facilidade, embora muitas vezes o trate  como se fosse o maior problema da humanidade.  Mas é tão simples como ir à internet, ver o ranking dos melhores colégios e escolher um em função de determinado critério, ou então escolhe a escola pública da sua zona e já está! 

Things you might like

Other articles you might enjoy...

Survey icon

Public Opinion…

Which Social Media platform do you use the most?