Festa de criança é a coisa mais comum do mundo. Todo mundo faz. Todo mundo quer fazer. Inclusive nós, mães especiais. Porque somos mães também, oras.  Porque queremos ver nossos filhos felizes. E porque temos muito o que comemorar. Mãe especial dá parabéns pro filho todo dia, até mais de uma vez por dia. Um movimento novo, um olhar diferente, uma mexida de dedo, um código aprendido, um alimento experimentado, um resultado bom de exame!

Mas aniversário é aniversário. O de toda criança é especial. Por que o nosso seria diferente?!

Mas é. Vou falar por mim. Mas acredito que muitas mães como eu também sofrem com algumas questões na hora de organizar uma festa de aniversário para o filho especial.

Que brinquedos contratar, que tipo de atividades, o que servir, onde fazer, quem chamar... Falando assim, não parece muito diferente do que tem que pensar qualquer mãe. Mas nosso buraco é mais embaixo.

Afinal, a festa tem que ser aproveitada pelo aniversariante e não pensada só para os amiguinhos. Mas, por outro lado, também não pode ser muito específico ou simples a ponto de ficar um tédio para os convidados. E quanto mais velhos eles vão ficando, mais essa equação precisa ser resolvida de maneira inteligente.

Mas é aí que eu quero chegar. Temos que ser inteligentes. Inteligentes, criativas, inventivas. É esse o rumo que eu tomo toda vez que organizo uma festinha pro Antonio. E tenho obtido sucesso. As festas dele geralmente são bem freqüentadas e bem faladas. E isso sem precisar gastar muito. Aliás, isso nunca vai acontecer aqui em casa porque somos cinco. Eu, meu marido, Antonio, Marina e Alice. E todo mundo adora festa. Qualquer festa. Festa é festa.

Seja na casa da vovó, quando ele fez um aninho só com a família. Ou no bosque, num piquenique para os amiguinhos da escola.

Não estou dizendo que é fácil. Não é. Muita expectativa, muito trabalho e, às vezes, lidando com condições bem adversas. No tal parabéns do um aninho, ele estava num período, e num dia particularmente, bem ruim em relação a convulsões. Eu estava um bagaço por dentro. Torturada pelo medo de convulsões sem controle. Mas fomos lá na casa da minha madrinha. Minha avó, a bisa dele, havia feito um bolo de palhacinho com todo o carinho do mundo. Minha família queria nos dar apoio. Eles queriam estar perto de nós. E era o dia do aniversário dele! Comemoramos. Comemoramos o fato dele estar vivo e conosco há um ano. Comemoramos todas as mudanças que a chegada dele trouxe para a nossa família. Comemoramos o fato dele em tão pouco tempo ter nos tornado pessoas tão melhores...

No dia que Antonio fez dois anos, ele estava com uma sonda pendurada na barriga. Havia acabado de passar por uma gastrostomia e ainda não tinha colocado o botton. E daí?! Comemoramos de novo. Enfim havíamos conseguido fazer a gastro. A cirurgia foi um sucesso. Ele agora ia ganhar peso e melhorar globalmente. Cantamos parabéns em casa com o Barney. Ele amava o Barney. E amou a festa. Sonda na barriga e sorriso no rosto.

Com três finalmente deu pra fazer uma festa maior. No play. Com animação. Com decoração. Um trabalhão! Mas muito recompensado. O lugar lotou. A animação sem som estridente e com instrumentos e atividades lúdicas rendeu. No chão, com muita participação. O tema foi de fazendinha. Ele adora bichos. E estava feliz. Cansado, mas feliz. Valeu.

Os quatro anos foram mais calmos. Ainda lembrava do cansaço do ano que passou. Rsrs. Aí, decidimos por algo bem menor. Uma aulinha de música só com os amiguinhos especiais das terapias. Foi uma delícia. De manhã. Na clínica onde ele é atendido. Até o tema foi de acordo. Personagens da turma da Mônica, incluindo os especiais, a menina cega e o menino na cadeira de rodas. Pesquisei a beça pra encontrar um brinde apropriado. Achei umas pulseiras com guizos de fechar com velcro lindas e coloridas pra todos poderem fazer barulho.

E mês passado, Antonio completou cinco anos. Os eleitos da vez foram os amiguinhos da escola. E isso me fez ficar bem nervosa sobre quem de fato apareceria. Eu não conhecia as mães muito bem e, apesar de saber que Antonio é muito bem tratado e recebido na sala de aula, nunca deslocamos essa relação para outro lugar. Mas foi uma preocupação boba. Foram muitos. Uma graça. Cheios de carinho com ele. Com seus presentes nas mãos, aflitos esperando Antonio abrir. Dava pra ver que eles escolheram pensando nele. E o evento correu bem. Uma cama elástica foi suficiente para juntar todos na mesma brincadeira. Os pais também me surpreenderam positivamente. Levando seus filhos e me mostrando como já conheciam o meu. Foi uma festa, de verdade.

 

Things you might like

Other articles you might enjoy...

Survey icon

Public Opinion…

Do you use a voice-activated speaker such as Amazon Echo or Google Home?