Dei com esta frase há algum tempo e, de facto, aplica-se cem porcento à realidade das nossas vidas e à viagem que fazemos com um filho com necessidades especiais.

E muitas são as pessoas que vão estando ao nosso lado, e muitas as que se vão afastando!

Nós, mães de crianças com necessidades especiais, estamos sempre só a olhar para onde queremos ir, a tentar ver a luz ao fundo do túnel, a procurar soluções, terapias, brinquedos, meios alternativos ou adaptados e queremos sempre mais. Só pensamos que têm que andar, falar, sentar, segurar objectos, etc.

Às vezes, acabamos por nos esquecer de olhar para quem está ao nosso lado e dar-lhes o devido valor.

Há os Pais. Acabamos sempre por falar nas mães e no nosso papel, porque geralmente são as mães que acabam por acompanhar às terapias, marcam as consultas, procuram os métodos na internet, ligam para falar com outras mães, compram os brinquedos, vão falar com os terapeutas, conhecer as escolas. Mas os Pais são um elemento base! No nosso caso, o Pai do Quico (o meu filho de 6 anos com necessidades especiais), é o ponto de equilíbrio. É aquele que ouve o que tenho para dizer, o que encontrei, sempre sem criticar mas sem dar pulos de alegria. É aquele que, sem querer, me chama à razão para o facto de o milagre não existir! É aquele que dá o colo reconfortante, enquanto eu dou o colo “bem posicionado” (e com certeza menos confortável para o Quico). É aquele que brinca e fala com amor sem qualquer necessidade de obter uma resposta (eu faço muita coisa com o objectivo “terapêutico”). É aquele que me acompanha, me valoriza e me apoia em tudo o que faço, porque sabe que o faço pelo Quico.

Mas há por aí muitos pais que são eles que acompanham às terapias, que pesquisam e têm (e muito bem) o papel preponderante.

Mas, porque falo neste post de quem irá sempre comigo nesta viagem das necessidades especiais para qualquer lado até que as forças lhe faltem, e porque escrevo sobre crianças com necessidades especiais, não posso deixar de falar da avó do Quico minha mãe! Já foi efectivamente com o Quico quase ao fim do mundo (às vezes em pensamento, outras vezes a acompanhar em tratamentos), está comigo em tudo. Como ela diz: quem é avó sofre 2 vezes, sofre pela filha e sofre pelo neto! E por isso, sempre que tenho um problema é a primeira a quem telefono e a primeira a sofrer como se o problema fosse seu. O mesmo se aplica quando há uma alegria, é a primeira pessoa a festejar qualquer vitória!

E depois, a sua relação com o Quico não tem explicação! Falam ao telefone, mesmo sem o Quico saber falar, a felicidade e a força de vontade do Quico mudam por completo quando é a minha mãe que lhe pede, é a primeira a acreditar nele. A minha mãe é efectivamente a segunda-mãe do Quico (aqui em Portugal costumamos dizer que as avós são as segundas-mães).

E com ela tenho a certeza que o Quico faz tudo com maior “facilidade” dentro das suas dificuldades porque o seu estímulo é maior: agradar à avó!   

E por isso, só posso dizer que, na nossa vida, não interessa nada onde vamos desde que tenhamos sempre a Avó Céu e o Pai Miguel ao nosso lado!

Desejo que todos possam ter estes dois passageiros na sua vida. Mas quem não tem, sei que faz tudo e muito mais pelo seu filho!

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