Fazemos questão, muitas vezes, de provar, através dos nossos gestos, roupas, palavras e atitudes que sim, somos diferentes. Pensamos “fora da caixa”, somos autênticos, flexíveis, tolerantes e bem resolvidos.

Quando Matias nasceu, com paralisia cerebral, no final de 2009, me deparei com todos esses adjetivos. Mas durou pouco, para perceber o quanto eu queria ser igual a todo mundo. Ter filhos como a maioria tem, filhos com perspectivas de vida “normais”.

Escrevo esse texto ainda sensível com uma situação que aconteceu há poucos dias, numa festinha de uma amiguinha da escola de Matias. Na roda de mães, inevitavelmente, rolou um papo sobre um menininho e uma menininha que são bem amigos no colégio. “Conheço um casal que se conheceu assim também, bem novos, e que casaram muitos anos depois”, comentou uma mãe. Bastou escutar isso, para eu ficar com o coração partido pelo resto daquele dia.

É fato que, ao longo da vida, e, a partir das nossas escolhas, vamos amadurecendo (ou não) e, com isso, quebrando alguns paradigmas ao longo da jornada. Matias, pra mim, foi um divisor de águas neste aspecto.

Ter um filho especial é muito mais que cuidados especiais e terapias. Tem uma frase conhecida que diz: “quando nasce um bebê nasce também uma mãe/pai”. O que dizer então quando esse bebê nasce com necessidades especiais?

Eu digo, assim como qualquer outra mãe/pai, que os seus valores são colocados em “cheque”. Você se descontrói todinho, vai lá no cerne das suas ideologias - aquelas de ser autêntico, flexível, tolerante e bem resolvidos - e ai descobre o quanto precisa mudar. Claro, você tem escolha, pode ignorar tudo isso. Mas eu preferi explorar esses sentimentos, e a “confusão” que o nascimento de Matias me trouxe e me traz até hoje, e sim, procurar mudar.

Nas corriqueiras circunstâncias do dia a dia, não me dava conta que eu ligava tanto pra aparências. É fácil aceitar defeito nos outros, mas e quando é com você? Engraçado falar assim, mas quando o filho nasce somos um. E aos pouquinhos você vai aprendendo que se trata de outro indivíduo, que merece todo seu carinho, amor e respeito.
Confrontar esse sentimento, como tantos outros, é doloroso! Mas ignorá-lo, não vai nos livrar.

O que tenho encontrado com o tempo, com o cuidado e a convivência com meu filho Matias? Liberdade! Ser livre de conceitos, livre pra amar, aceitar, viver. Ser firme também, lutar. Confrontar meus medos, me refazer para alcançar aquilo que realmente, no fundo, acredito, sem clichês. Isso tem me dado uma nova visão! E nela, acredite, vejo que sou mais forte do que imaginava.

Sou confrontada o tempo todo com esses valores. E há muitas coisas que ainda ferem meu narcisismo. Encaro, sofro e repenso... e mudo, constantemente.

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