Aos três anos do meu filho, depois de recorrermos a vários métodos de terapias, sem grandes resultados, e depois de ir conversando com mães e terapeutas pelo mundo inteiro, percebi que queria testar novos métodos. Só que não existia ninguém em Portugal que os praticasse... 

E aí a questão estava em ir a outros países e passar temporadas a fazer terapia com o meu filho ou continuar sem tentar esses novos métodos.

Mas várias questões se levantavam desde logo. 

Em primeiro lugar, eu tenho outros filhos e assim como nós, mães, fazemos de tudo pelos nossos filhos com necessidades especiais, também fazemos de tudo pelos nossos outros filhos. E isso significa não conseguir “abandoná-los” por muito tempo. Perder os seus carinhos, as suas evoluções, o seu dia-a-dia é uma decisão muito difícil de tomar e acabamos por sentir que estamos a fazer uma “escolha de filho”.

Depois, ir sozinha com o meu filho para outra cidade e para uma estadia fora de casa já tinha sido uma experiência que eu tinha tido várias vezes e tinham sido muito duras. 
E mais... levantava-se a questão que é “e se o tratamento resulta?”, que é sempre o que queremos. Aí não vamos querer sair desse outro país e deixar o que resulta...

E eu já tinha a certeza de quais os métodos que queria testar. E quando ponho uma coisa na cabeça, só se for humanamente impossível é que não faço...

Então, foi aí que conheci uma mãe em França que estava a trazer uma terapeuta brasileira de um dos métodos que eu queria testar e convidei essa terapeuta a vir a Portugal. E não é que ela aceitou vir? E assim organizei com outras mães que queriam experimentar. E foi quando a terapeuta do meu filho se entusiasmou e acabou por tirar os cursos dos dois métodos que eu queria tanto.

E foi assim que surgiu a ideia de nos juntarmos e montar um super centro de terapias de reabilitação infantil onde pudéssemos oferecer às crianças aquilo que eu gostava de receber de um centro de terapias.

O centro de terapias foi ganhando forma. Para além das terapias, passámos a ter parceiros sempre disponíveis a apresentar equipamento para testar; sapatos adaptados; órteses; terapias complementares e medicinas alternativas, bem como terapeutas dedicados e especializados em reabilitação infantil.

Fomos vendo o meu filho a ter a sua evolução, outras crianças a evoluir (muitas delas com evoluções fantásticas). Fui conhecendo muitas histórias, fui criando muitas amizades. Sinto que ajudei muitas mães. Em muitas situações foram elas que me ajudaram muito e me fizeram crescer. E além disso, sinto que fiz pelas outras crianças o que sempre fiz pelo meu filho: o melhor.

Sou uma pessoa muito mais realizada e feliz por ter montado este projecto pioneiro em Portugal. Acabámos até por abrir caminho e outras mães sentiram vontade e avançaram com centros terapêuticos. 

Hoje esses dois métodos de terapia em que fomos pioneiras, são terapias já “banalizadas” em Portugal e ajudam crianças a reabilitarem-se no país todo.

Por isso, mães, se sonham com alguma coisa, não pensem que é impossível. Não fiquem de braços cruzados e avancem com os vossos sonhos.

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