Acredito que todas os pais e mães de crianças com necessidades especiais, todos os anos à meia noite do dia 31 de Dezembro, quando pegam nas doze passas e no champanhe, só lhes venha à cabeça o desejo de que este seja o ano em que o seu filho passe a fazer as coisas que é suposto fazer!

Eu, pelo menos, quando ponho na mão as doze passas, onze delas materializam-se num só desejo. Lá no meu sub-consciente também acredito que se pedir mais vezes vai-se mesmo concretizar...

Olhamos para o nosso filho e pedimos muito muito...

E isto prende-se com a fé e com os sonhos que temos.

O meu filho tem seis anos e não deixo de sonhar e acreditar.  Claro, passaram 6 anos e não se concretizaram esses desejos mas continuo a acreditar.

Só que, mais que pedir desejos, também temos que agradecer. Primeiro pela saúde que nós pais temos, pois a nossa saúde é primordial. E depois, por termos os nossos meninos entre nós e por termos pessoas que nos ajudam.

Também quando pedimos muito que os nossos meninos consigam tudo, temos que nos lembrar de todos os esforços que eles fazem a cada segundo.

Para alguns, o simples facto de levantarem um braço, segurarem a cabeça, dizerem olá, ou focarem o olhar é um esforço enorme.

Há uns tempos li um relato de uma rapariga com paralisia cerebral, que anda em cadeira de rodas mas por vezes consegue deslocar-se num andarilho. Ela dizia que a mãe sempre a incentivou muito para ela andar mais no andarilho, sempre que iam ao shopping ou a casa de alguém levava o andarilho e queria que a filha andasse no andarilho o tempo todo. Ela referiu que a mãe tinha tantas boas intenções e sonhos que se esquecia do esforço que a filha tinha que fazer ao deslocar-se num andarilho. É que mexer uma perna, para quem tem uma paralisia cerebral é um esforço sem comparação.

Qualquer coisa no seu dia-a-dia é um desafio, que, na maior parte das vezes, é intransponível, e disto temos que ter consciência.

Mas isto a propósito dos desejos e da fé que temos. Por muitos anos que passem vou sempre sonhar e pedir o impossível. Mas sonhar é isso mesmo, é querer o impossível! Hoje, quando olho para trás, não vejo o “sonho” tão real como via quando o meu filho tinha um ano. Mas vejo o “sonho”, tenho o sonho de um dia o ver a andar, falar e usar os seus braços. E porque não?

Que 2015 seja o ano dos nossos sonhos, da saúde e da felicidade dos nossos meninos. Que os nossos corações se encham de alegrias pelas concretizações, por mais pequenas que elas sejam, porque as pequenas coisas, se olharmos bem para elas, não são pequenas! E vindas especialmente dos nossos meninos, são bem grandes!

E no próximo ano podemos voltar as ter os mesmos sonhos, sem problema. O que interessa é que estejamos cá e nos consigamos alimentar das pequenas coisas! Pois “o sonho comanda a vida”.

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