Lembro bem minha primeira reação ao ver o vídeo que divulgava a invenção de mais uma mãe especial. "Caramba, que legal! Imagina o Antonio nisso?!" Com certeza, meus sentimentos foram de alegria, de esperança, de felicidade por imaginá-lo feliz ali. 

Nem por um segundo, pelo menos não naquele primeiro momento, pensei coisas do tipo: "será que melhora o controle de cabeça?; será que é bom pra marcha?; será que ajuda na descarga de peso?"...

Não que essas questões não façam parte do meu dia a dia, mas não são elas que me guiam ao pensar no bem estar geral do meu filho. 

Antonio é conhecido pelo sorriso, é sua marca registrada. Tenho certeza que é um menino feliz. Grande parte disso é mérito dele. O garoto é do bem, boa praça, temperamento fácil. Mas a outra parcela é por nossa causa, pela nossa busca incessante por qualquer coisa, pessoa, terapia, traquitana que possa fazer bem a ele.

E aí entram esses dois campos: o social e o terapêutico. E, de coração, não saberia dizer qual é mais importante. 

Por isso, não me interessa se um equipamento como o upsee servirá só para a socialização do meu filho. Porque esse "só" não é verdadeiro. A possibilidade de melhorar a sociabilidade de uma criança especial representa ganhos tão mais profundos, que as melhorias terapêuticas, se acontecerem, é puro bônus. 

Participar da aula de psicomotricidade na escola, atrelado ao corpo da mediadora; manter-se de pé em ambientes fechados e de difícil circulação, como casas de festas infantis, onde o andador trambolhudo não cabe; caminhar grudado ao pai na areia da praia; participar de peças de teatro no fim do ano no colégio; entrar de pé no seu quarto; vivenciar e enxergar as coisas de outro ângulo. São tantas emoções...  

Pode ser que a cabeça do Antonio não fique em pé sozinha com o uso do upsee, mas o Antonio pode ficar de pé graças ao upsee. Ainda que juntinho a nós.

Por fim, eu acredito que quando o ganho social ou psicológico atinge essa magnitude, a parte terapêutica ou física acaba se beneficiando de alguma forma. Seja pela injeção de alegria, pela força de vontade de melhorar, pelo sentimento de liberdade que pode aumentar o esforço… Felicidade não faz mal a ninguém. Pelo contrário, só faz bem. Muito bem.  

 

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