O Natal é e sempre foi a minha altura do ano preferida.

Acho que toda a cor, os doces de Natal, a reunião da família e dos amigos, o calor que sentimos em casa depois de vir da rua tão fria, as histórias de como era antigamente, ainda ganham mais cor quando juntamos as crianças.

Só que ter um filho diferente de todas as outras crianças, até isso torna o nosso Natal diferente.

E tudo começa com as escolhas das prendas.

Com as outras crianças conseguimos escrever uma carta ao Pai Natal ou ao menino Jesus. Ao longo do ano o meu filho Duarte de 3 anos (sem necessidades especiais) foi vendo o que queria na televisão e foi-nos dizendo. Num destes dias fomos à loja de brinquedos, vimos todos os brinquedos e escolheu alguns. Ainda fizemos os desenhos e eu fiquei de dizer ao Pai Natal, quando ele me ligasse a perguntar como se tinha portado o Duarte ao longo do ano, quais os brinquedos que gostava de ter.

Com o Quico, sem falar, sem conseguir apontar para os brinquedos que quer ou desenhá-los, o processo torna-se muito difícil... Eu quero efectivamente dar-lhe hipótese, mas como vai uma criança tão limitada escolher os brinquedos que quer? Geralmente, vou às lojas de brinquedos sozinha e escolho alguns que de alguma forma ele consiga brincar, que tenha um manípulo fácil de manusear ou alguma coisa que estimule a parte visual. Acabo por correr e correr e nunca nada é adequado... Mesmo quando lhe dou hipóteses de escolha entre 2 brinquedos, como sei que ele quer outro qualquer e nenhum daqueles?

Este ano, o Quico tem 6 anos, acho que vou escolher exactamente aquilo que um menino de 6 anos quer, mesmo que ele não saiba manusear. É que às vezes escolhemos tanto qualquer coisa que possa ser estimulante ou ele consiga agarrar, mas depois é um brinquedo sem interesse nenhum ou fora da sua faixa etária...

Também achei muito interessante a SCOOOT que acabou de ser lançada pela FireFly. Para o Quico serviria apenas a versão de gatinhador mas se ele se movimentasse alguma coisa, já dava essa prenda como a melhor prenda de Natal. Vamos ver tamanhos e fazer contas e ver se o Pai Natal sempre pode trazer a SCOOOT... Mais a mais, ele vem do Polo Norte, a Irlanda do Norte (sede da FireFly) é mesmo em caminho. J

Depois, quando a família começa a perguntar que presentes hão-de dar aos meninos. Começa a diferença outra vez: é muito fácil indicar prendas para os outros ou deixar as pessoas decidirem. Quando é para o Quico, lá vem a tristeza de não ter resposta...

Há uns anos as pessoas ainda ofereciam brinquedos básicos, hoje em dia, vejo que já desistiram e acabam dando roupa... Eu percebo... Se até eu, que sou mãe, tenho muitas dificuldades, imagino as outras pessoas...

Nas viagens, se, em 2 dias, é fácil correr de uma parte da família para outra, fazer 2 almoços, 2 lanches e 2 jantares em cada casa, com uma criança com necessidades especiais é muito mais difícil. É preciso ter comida especial preparada para todas as refeições, levar todos os acessórios (desde cadeiras, carrinhos a andarilhos...), não poder descansar de acordo com a sua rotina, e é certo que a correria também ajuda a destabilizar e depois ninguém dorme de noite.

E preparar uma seia de Natal com uma criança que requer colo e atenção todo o dia? Acabamos sempre por ir para casa da avó passar uma temporada e por lá ficar o Natal o tempo inteiro...

 Na escola também tudo é diferente. E aí, sim, as diferenças são ainda mais notórias.

Tento sempre ir psicologicamente preparada para uma festa onde 99% das crianças correm, saltam, brincam e apresentam a sua peça de Natal, e apenas 1% dessas crianças têm necessidades especiais. E afinal essa criança é a minha...

Dá uma dor que vai até fim do coração de mãe.

É verdade que a peça de Natal é preparada fazendo o enquadramento dessa criança (ou vai no Standig ou no andarilho ou na cadeira – este ano por acaso acho que vai no Upesse), mas não deixa de estar um auditório cheio de pais de crianças em que todas, sem excepção, vão estar a olhar especificamente para o meu filho e a ter pena dele.

Geralmente recebemos um convite para assistir à festa feito pela criança. No nosso caso, claro que valorizamos o convite que o Quico consiga fazer. Mas sabemos, no fundo do coração, que não foi o nosso filho que fez, que foi alguém que lhe segurou a mão e o ajudou a pintar., que lhe escolheu as cores e os materiais..

 Mas, felizmente, não é nada disto que nos tira as forças e todos os anos continuamos a pedir ao menino Jesus e ao Pai Natal que nos traga alegria, união, força e desenvolvimento. Agradecemos as doenças que não temos e a família e amigos que se mantém entre nós. E todas estas dificuldades são relativizadas...

 Bom Natal a todas as famílias e crianças (com e sem necessidades especiais)

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