Um novo ano começa e, mais uma vez, terei a árdua tarefa de mexer na agenda atribulada do meu filho. Um garotinho de 5 anos que precisa trabalhar muita coisa ao mesmo tempo. Praticamente um atleta. Se essa comparação não fosse um pouco irônica devido as suas condições por causa da Paralisia Cerebral.

Mas a busca é a mesma. Nossa meta é sempre a superação. E por ela quase não descansamos.

 

Mas aí é que está. Às vezes, quase sempre, na ânsia de fazer mais e mais para alcançar os nossos e os objetivos dos medicos e terapeutas, exageramos na dose. E a coisa toda cai numa contradição difícil de se dosar.

Afinal, estamos falando de crianças! E criança precisa brincar. Precisa ficar de preguiça na cama, fazendo chamego. Precisa não ter hora pra acordar. Nem que seja no fim de semana. Estou falando isso porque ultimamente os horários já estavam tão tomados que coloquei terapia até aos sábados.

Claro que isso tudo envolve uma série de questões como casar horários da criança e da terapeuta, o deslocamento, as tentativas de novas técnicas, a vontade de aumentar a carga diante de bons resultados… Óbvio que a intenção é sempre a melhor, mas inevitavelmente chega a hora em que percebemos que está demais.

Engraçado que isso já aconteceu comigo várias vezes e por mais que hoje eu esteja muito mais centrada e preparada para escolher terapias e montar a grade de horário do Antonio, eu sempre me perco no meio do caminho. E aí vem esse momento, geralmente nessa época de início de um novo ano, em que eu preciso rever tudo outra vez.

As terapeutas devem me achar louca e arrancar os cabelos com as minhas mudanças constantes. Mas elas vivem sendo necessárias.

Agora, por exemplo, ficou decidido que Antonio precisa se entender melhor com as ferramentas de comunicação disponíveis para ele. Praticar mais o apertar dos acionadores; usar mais e mais claramente a prancha com todas as figuras de seu dia a dia; testar novas tecnonologias como programas que usam o olhar para as escolhas no computador; se aproximar do objetivo de passar tudo da prancha para o i-pad… Enfim, tarefas de acordo com o desenvolvimento dele que até agora evolui bem mais na parte cognitiva do que na motora.

Claro que isso não quer dizer que devemos abandonar o motor pelo cognitivo. Mas, sim, vamos priorizar a inteligência intelectual do Antonio. E para isso precisamos de mais tempo com ele. Até para que ela não acabe prejudicada pela falta de ajuda correta no momento.

São decisões e mais decisões que temos que tomar o tempo todo. E a sensação é a de que o tempo está passando e não podemos dar bobeira. Antonio é um organismo vivo. Natural que seja sim. Mas, há que se admitir: é bastante cansativo.

Principalmente quando achamos que está tudo nos trilhos e finalmente organizado. Só que não. Risos. Na verdade, será preciso organizar e montar tudo de novo.

É isso aí. Vamos lá. Tira daqui, bota dali. Muda o dia, estende o horário, muda de lugar, implora novos horários e assim vamos nós, na esperança de que a folha impressa na lateral da geladeira dure um pouco mais. Antes do próximo ajuste.

 

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